Conhecemos com os pulmões
a proficiência
de uma leveza; sua nutrição
freática, nome
que (clandestinamente)
nos festeja.

::

Amor, contingência que contagia;
abertura impura, sinuosa:
sinuosa insurreição
— quando o sol se adensa
(e
a sede seduz
sem sedar).

::

Cada jogo, uma jornada;
a força que
se deforma (fervura onde venta)
previne
o edema da obediência.

::

Os afetos que fundamos
—ou difundimos— confundem
o furor
da afasia (e seu afago
aflito).

::

A saliva, um barbante;
bocas (versáteis
e variadas) mestiçando o tato
no tatame antes
do instante.

Escrito por Casé Lontra Marques

Casé Lontra Marques é um poeta brasileiro nascido em 1985, em Volta Redonda (Rio de Janeiro). Mora em Vitória (Espírito Santo). Publicou "O que se cala não nos cura", "Saber o sol do esquecimento" e "Mares inacabados", entre outros. Reúne o que escreve em caselontramarques.blogspot.com.br.