Galimatias

Avoengos vergéis onde o gládio dobra sobre si mesmo
fratura a orquestra
o azul do abismo
– uma orquídea
Morreremos congelados


(Minha) Última Thule

Para A.F., A.R. e P.G.

Heráldico pomar
Linha de sombra que delimita
Horizontes, espaços abertos
Entre a liberdade das Marquesas
O encanto da Etiópia
Entre o marfim da tez
E o negro das formas
Encontra-se tácita
Hierática beleza.

Nada Além

Adormecido,
No vale, em meio às sombras escombros brancos deserto de escarpas e falésias não moventes.
Pétreo ruído do silêncio.
Abismo negro que enreda a queda da boca dentre os brados sensuais da margem do mesmo repetir cacófato de si.
Arquiteto de calma e silêncio.
Astro fosco, imagem da chegada única de um canto doce.
Dormente espaço.
Amargo laço – que afônico – procura recomeçar e ser todo aparência.

Escrito por Lucas Perito

Lucas Perito - Nasceu em São Paulo em 1985. É graduado em Comunicação em Multimeios pela PUC-SP. Trabalhou na editora Empresa das Artes, escrevendo livros ligados a história e fotografia, fazendo os textos de acompanhamento para o livro fotográfico “Caminhos da Mantiqueira” (2011) de Galileu Garcia Junior. Tem alguns poemas publicados na Revista Zunái, revista Diversos Afins, Revista Benfazeja, R. Nott Magazine, Caderno-Revista 7 Faces, Revista Parênteses, Revista Entreverbo, Revista Saúva, Escamandro, Jornal RelevO, Revista Gueto, O Poema do Poeta, InComunidade (Portugal), Enfermaria6 (Portugal) e Liberoamérica (Espanha). Também participou como tradutor na Revista Parênteses, Escamandro, projeto Pontes Outras e no Ponto Virgulina. Tem traduzido Charles Cros, David Diop, James Wright, Amparo Osorio, Abdellatif Laâbi, María Emilia Cornejo, Jacques Prevel, entre outros. Seu livro de estreia, 38 Movimentos, sai em fevereiro de 2018 pela Lumme Editor.