uma coruja enorme passa/ voando/ carregando um rato
um rato minúsculo/ cinza/ corre disfarçado por entre a brita
e a cidade. a cidade se agita/ cansa/ casa/ morre/ mata
o preto a puta o índio a mata
mas não chega sequer às patas/ daquela coruja
voando/ gigante/ com suas garras / com suas asas
e a rata que hoje mesmo é seu jantar.

Escrito por Leandro Durazzo

Antropólogo, tradutor e escritor. Autor de Tripitaka (poesia, 2014), Histórias do Córrego Grande (prosa, 2015) e Cantos de Natal (poesia, 2017), costuma viver na praia, quando não na estrada. Possui poemas espalhados em coletâneas e revistas literárias, tanto seus quanto de outros, que traduz. Trabalha com povos indígenas e religiões orientais, nem sempre ao mesmo tempo.