vejo as melhores cabeças da minha geração
batendo em paredes, arrastando-se
pelas valetas da valentia e levando junto
tudo que escuto: a vida é maior, mais valia
agir sempre aos poucos, e muito
na intensidade, no envolvimento, em conjunto com quem
segue crente
que a vida é grande, que deus existe, que a morte insiste
e que às crianças virá futuro.

já não é por nós que vivemos: por nós, trabalhamos
– e mesmo que leves, e mesmo que crentes –
vamos: é trabalho muito, e o trabalho é duro.

 

[sobre um mote de Fernando Bastos Neto (aqui); sobre um mote de Allen Ginsberg (aqui e aqui); ao povo indígena Tuxá do norte da Bahia, em processo de luta por seu território sagrado, ancestral, de trabalho e trabalho (aqui e, in english, aqui)]

Escrito por Leandro Durazzo

Antropólogo, tradutor e escritor. Autor de Tripitaka (poesia, 2014), Histórias do Córrego Grande (prosa, 2015) e Cantos de Natal (poesia, 2017), costuma viver na praia, quando não na estrada. Possui poemas espalhados em coletâneas e revistas literárias, tanto seus quanto de outros, que traduz. Trabalha com povos indígenas e religiões orientais, nem sempre ao mesmo tempo.