para Raquel Gaio

 

envelheço não porque o tempo passa
mas porque esqueço de olhar o mar
a retina seca é o destino da queda
das pálpebras
das palavras
da pele
pedras nos poros

qualquer respiração é constituída por moléculas marinhas
ossos de pássaros e passagens de fluxos

molhar as mãos no azul da carícia
habitar águas-vivas entre os dedos
entre as linhas do rosto
desenha-se a lucidez vazia do instante
o tempo gosta de soprar desmemórias
amorosa
acolho seu canto na acidez do sangue

:todas as vozes que não conheço sussurram meu nome:

 

imagem|raquel gaio

Escrito por carla carbatti

Doctora en Estudios de la Literatura y de la Cultura por la Universidad de Santiago de Compostela. Autora del poemario 'Na cadência do caos' (Urutau, 2016).