para Raquel Gaio

 

envelheço não porque o tempo passa
mas porque esqueço de olhar o mar
a retina seca é o destino da queda
das pálpebras
das palavras
da pele
pedras nos poros

qualquer respiração é constituída por moléculas marinhas
ossos de pássaros e passagens de fluxos

molhar as mãos no azul da carícia
habitar águas-vivas entre os dedos
entre as linhas do rosto
desenha-se a lucidez vazia do instante
o tempo gosta de soprar desmemórias
amorosa
acolho seu canto na acidez do sangue

:todas as vozes que não conheço sussurram meu nome:

 

imagem|raquel gaio

Escrito por carla carbatti

Mineira, das montanhas, do mar, de aqui, de acolá, de nenhum lugar. Doutoranda em Estudos da Literatura e da Cultura pela Universidade de Santiago de Compostela. Poeteira com todos os átomos, tem moléculas poéticas espalhadas nas revistas Subversa, Zunái, Germina, Alagunas, Mallarmargens, Diversos Afins, Escritoras Suicidas, Contratiempo, etc., nas antologias ESCRIPTONITA: pop-esia, mitologia-remix& super-heróis de gibi, Antologia RelevO 5 anos, Contemporâneas: antologia poética e no livro autoral, Na Cadência do Caos, editado pela Urutau.