descasco amendoins que comprei no sul de minas
sozinho, cansado, num hotel no mesmo estado,
mais ao norte. todos os caminhos constituem novos passos.
braços de mar, abraços, águas que correm ou não: nem tudo é celebração:
às vezes a despedida entalha novos versos
que nem sonhávamos:
às vezes as cigarras nos relembram.
há saudade no cansaço, na corrida ao pôr-do-sol,
em meio ao mato, vapores, pastos e vaga-lumes em multidão.
aqui é cerrado: o sertão é diverso, mas por vezes a sensação
é só a mesma: descasco amendoins, cansado, ouvindo o som dos astros,
daquilo que me ultrapassa. do acaso. da sorte eterna.
novos voos. voos bons. a esperança do pouso.

Escrito por Leandro Durazzo

Antropólogo, tradutor e escritor. Autor de Tripitaka (poesia, 2014), Histórias do Córrego Grande (prosa, 2015) e Cantos de Natal (poesia, 2017), costuma viver na praia, quando não na estrada. Possui poemas espalhados em coletâneas e revistas literárias, tanto seus quanto de outros, que traduz. Trabalha com povos indígenas e religiões orientais, nem sempre ao mesmo tempo.