[ para Carla Carbatti]

um diálogo co’movido

tento atingir o bicho, o primário
o pulso úmido que envolve os dias

estou bifurcada no tempo
estou líquida no teu nome

porque recolho as conchas de tua boca
porque me dobro na cicatriz desse mar

-ainda assim, nada redime a noite

escutar de perto a respiração de um animal
abrir as vértebras para que tua dança molhe a palavra
essa província imensurável, esse escuro

– sobre o afogar, eu tenho altares-

 

imagem: autorretrato, Raquel Gaio

Escrito por raquelgaio

Raquel Gaio nasceu e reside na cidade do Rio de Janeiro. Licenciada em Letras - Português e Literaturas de Língua Portuguesa pela UFRJ, atua nas áreas da poesia e artes visuais.Foi publicada em algumas revistas e portais como Alagunas, Enfermaria 6, Poesia Primata, Garupa, Literatura BR, Revista Saúva, entre outras. Leva uma vida anfíbia, embora escreva sobre pássaros.