sim, dizer osso: (estrutura: resíduo de uma duração)

mas saber que as convicções estão melhor guardadas ali onde elas se perdem:
no fluxo do sangue, na resistência do coração

sim, dizer osso: (resíduo de uma duração: grão orgânico)

mas saber que o elemento primitivo, é germinal, é um corte
o grão é a ferida do encontro da seiva com a terra, do abismo com a pele

sim, dizer osso: (grão orgânico: de’lírio da matéria)

mas saber que que a substância-mãe é a água, porque ela é a filha de todas as coisas
– passagem e passageira – informada, forma o movimento,
materialidades feitas de ondas luminosas, energias sonoras, fótons olfativos, glúons gustativos, quarks hápticos a água nos oferece o real como vibração, como desvio do Centro,
como pele porosa com suas múltiplas aberturas: saltos, mu’danças, ritmos

sim, dizer osso: (de’lírio da matéria: desejo):

 

imagem|giselli mo

Escrito por carla carbatti

Mineira, das montanhas, do mar, de aqui, de acolá, de nenhum lugar. Doutoranda em Estudos da Literatura e da Cultura pela Universidade de Santiago de Compostela. Poeteira com todos os átomos, tem moléculas poéticas espalhadas nas revistas Subversa, Zunái, Germina, Alagunas, Mallarmargens, Diversos Afins, Escritoras Suicidas, Contratiempo, etc., nas antologias ESCRIPTONITA: pop-esia, mitologia-remix& super-heróis de gibi, Antologia RelevO 5 anos, Contemporâneas: antologia poética e no livro autoral, Na Cadência do Caos, editado pela Urutau.