Roger Ballen

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um corte de cana no mastro

outro na cruz

 

e então se veriam lascas

de abutres por todos os cascos

 

e então se leriam cacos

se agregando à portuguesagem das línguas

 

e farroupilhados

roucos

os velhos clérigos cassetetes abrasilados

 

um corte

de cana caiando

bandeiras de brancos

 

e tudo a gente tingindo de nãos

por todos os lábios

 

 

mas já nem se devolve à outra face

o que lançaram em nossos olhos

 

já não se enraivece tão fácil…

 

e sob o tacão da ordem dos caretas

segue a multidão vestindo couraças

 

Katyuscia Carvalho

Escrito por Katyuscia Carvalho

Nasceu no interior de Pernambuco, com as águas de março de 1977. Licenciou-se em Letras e lecionou intensamente enquanto viveu no Brasil. Emigrou por amor. É feminista e leitora de epistemologias voltadas à descolonização do pensamento. Publicou VERMELHO RUPESTRE, livro de poemas, pela Editora Patuá. É apaixonada pelos tambores do Maracatu de Baque Virado, pelas preacas e pífanos dos Caboclinhos, pela dança e som da chuva, pelo mar e por Lisboa. Hoje, em terras helvéticas, estuda idiomas e escreve porque não sabe cantar. Sonha em ter um poema musicado.