Por Fernanda Fatureto

Os pássaros de Alejandra são negros e obscuros

Os pássaros de Alejandra sobrevoam o inconsciente soturno

Voam sobre a terra arrasada e úmida

Alguns decidem parar para comer restos de outros pássaros

Outros checam a cercania de predadores –

a utilidade de mantê-los vigilantes para que a imaginação não salte em terrenos proibidos:

não se pode brincar com o sonho.

Os pequenos seguem os maiores em filas

Um extenso céu anuncia a tempestade;

Os mais velhos em acrobacias macias:

estão buscando um modo de sobreviver como Alejandra.

Seu terreno, árido, era a escrita por onde saltavam palavras

Frases encadeadas pelo ritmo de um coração exultante

tecendo a morte tecendo o dia tecendo a noite

tecendo tecendo

para que esteja viva a memória.

Os pássaros de Alejandra voaram bem mais do que podiam

Cobertos de sonho e delírio;

Cobertos de amor.

– – –

Yo no sé de pájaros,

no conozco la historia del fuego.

Pero creo que mi soledad debería tener alas.”

Alejandra Pizarnik

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Escrito por Fernanda Fatureto

Fernanda Fatureto é autora de Ensaios para a queda (Penalux, 2017). Bacharel em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Participa das antologias poéticas 29 de Abril: o verso da violência; Subversa 2 e Senhoras Obscenas. Estreou com o livro de poemas Intimidade Inconfessável (Patuá, 2014). Possui poemas em revistas literárias do Brasil e nas revistas portuguesas Enfermaria 6 e InComunidade. https://fernandafatureto.wordpress.com