As dobras as vestes a pele

tecidos finos revestem a orfandade do mundo.

A marca humana mancha o discurso

como tatuagem

Pequeno abrigo de significantes.

A caligrafia vibra para que se ouça a dor

roçar o asfalto

tecer correntes que arrastem o abandono do corpo

feito trapo pelas calçadas.

A pele o sentido as palavras

são belezas que não salvarão o mundo.

*Fernanda Fatureto é poeta e jornalista. Autora de Ensaios para a queda (Penalux, 2017).

Escrito por Fernanda Fatureto

Fernanda Fatureto é autora de "Ensaios para a queda" (Penalux, 2017). Seu "Ensaios para a queda" foi eleito um dos melhores livros de 2017 pela revista São Paulo Review e pelo site Letras in.verso e re.verso. Bacharel em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Possui poemas em revistas literárias do Brasil; nas revistas portuguesas Eufeme, InComunidade e Enfermaria 6; nas revistas espanholas Cuaderno Ático e Liberoamérica; na revista galega Palavra Comum e na revista mexicana El Periódico de las Señoras. Participa do "Caderno de Poesia e Prosa Subversa 2" (2019) e das antologias "Damas entre Verdes"(2018), "29 de Abril: o verso da violência" (2015), "Senhoras Obscenas"(2016) e "Subversa 2" (2016). Estreou com o livro de poemas "Intimidade Inconfessável" (Patuá, 2014). Site: https://fernandafatureto.wordpress.com