Jovana Rikalo

 

todo peito precisa
[de se lançar] de um
precipício para bater

mais forte mais vivo.

doer, dói sempre
senão doesse [até os ossos do espírito]
não teria sentido de ser vivido
senão doesse [até os olhos da espinha]
não teria sentido de ser vida.
na dúvida deixe o barco correr
as folhas caírem o vento sobrar
entre as incertezas e as chagas
é o tempo o dono dos sentimentos
nós coadjuvantes das próprias exigências
absoluto o tempo toma às rédeas da vida
do intrínseco do inconsciente milagre mutável
no fim tudo são possibilidades do desejo
: sem sabermos as consequência.

Escrito por Nayara Fernandes

Nayara Fernandes (Teresina - PI, 1988) é escritora e poeta brasileira. Autora do livro “Asas de pedra” (Selo Edith, 2017). Tem poemas publicados em diversas revistas literárias no Brasil como Alagunas, Mallarmargens, Acrobata, Germina, Diversos Afins, Escritoras Suicidas e The São Paulo Times. Além dos sites LiteraturaBR e Livre Opinião - ideias em debate. Participou da coletânea Quebras - uma viagem literária pelo Brasil (Selo Edith , 2015). Ousada, sistemática e inquieta escreve em "Eu tenho asas de pedra" nayarafernandes.wordpress.com.