“Quiero hacer contigo lo que la primavera hace com los cerezos”,

é Pablo Neruda,

disse ele,

delirando meus frutos

 

Quando eu te encontrar, Lueji,

Meus olhos soprarão silêncios:

Não os cante nem escute.

Te peço que me solte os cabelos

E vá lhes enfiando os dedos,

Repetindo bêbado meu nome

Que você jamais disse,

Por poesia ou descuido,

Até que me toque a mente.

 

Eu preciso ser mulher dita

Na rua das tuas músicas,

No segredo dos seus invernos

Que nunca plantam palavras,

Até encantar o relógio da cozinha,

Que vai testemunhar você me partir a doença

Com seus ombros afiados de abraço,

Com a lucidez com que você me abandona.

 

Você é capaz de elucidar a Física Quântica

Na História dessas ladeiras falantes,

Mas não pode compreender

O elefante branco que rumino

Quando viajo 6 horas e metade de uma laranja

Pra tomar uma dose venosa de ti.

 

Me pergunto por que me perco

Até chegar na beira-mar dos teus pés.

Tenho sonhado que teu corpo é o lugar

onde eu moro.

Escrito por Carolina Turboli

Carioca, escritora, compositora e empreendedora, Carolina é apaixonada pela alquimia da palavra. Orgulhosamente, vive do que escreve.