Para Fernanda

ao conversar,
silenciosamente,
dentro de ti

não se assuste,
amor

é o som do vento
no vão do teu prédio
espaço da construção

tantos os caminhos
tortuosos
contingentes

nossos passos?
deixam rastros

e os laços, se perduram,
transformam-nos
reinventam

não em aço ou osso,
mas coração:

azul-nuance do céu,
pestanejar rítmico das ondas,
manto turquesa das nuvens

devo reconhecer
o que, entre nós,
é lindo de doer:

as tuas pernas
nas minhas,
entrecruzadas

as nossas vidas
na cama
entrelaçadas

o céu azul, rosa, lilás,
ao brotar,
é um mero detalhe

e o que é sólido
feito aço, osso e coração
transforma-se numa batalha

árdua

onde o impulso da lágrima
precede o ímpeto pela coragem

Escrito por Gabriel Cortilho

Gabriel Cortilho (1992- ) é poeta e professor de História em Araraquara, no interior de São Paulo. Possui como referência a poesia de Manoel de Barros e Fernando Pessoa. Tem poemas divulgados pelas revistas Carlos Zemek; Mallarmargens; O Poema do Poeta; Escrita 47 (Guatá- Cultura em Movimento). Organiza seus escritos em livretos, sendo eles: Atemporal/Cronológico (2014), Transitório (2015), A Transa dos Besouros Verdes (2016), O Poema e a Cachaça (2017) e Javali Radioativo (2017), A Carne e o Licor de Moscas (2017), Os Fios Esquecidos Pelos Olhos (2017) e O Poema Entre as Ruínas (2018).