Natalia Drepina

tolo meu coração
tem vontade própria
sofre de miopia grave
.
mesmo ralado
ardido doído sentido
pelos tombos levados
isanto insiste no outro

resiste persiste repleto
enquanto a estafa não solta às rédeas
exausto desaba sobre o caminho 

: rever o ontem é
relembrar a crosta
cava da sabedoria

é esvaziar a culpa
é dizimar o peso e
apreender enganos
como amadurecimento
.
tolo meu coração
tem vontade própria
sofre de miopia grave
.
cego surdo vivo moribundo
repousa na sargenta utópica
onde nunca desiste do outro
onde sempre desiste do mim
onde vorazmente sugam seus pulsos
.
: rever o ontem é
lembrar a crosta
cava de ser humano
insano inumano desvairado
.
tolo meu coração
tem olhos acriançados
aninha-se em carinhos [homeopáticos]
simples busca apenas reciprocidade
porém, é o algoz da própria alma.

Escrito por Nayara Fernandes

Nayara Fernandes (Teresina - PI, 1988) é escritora e poeta brasileira. Autora do livro “Asas de pedra” (Selo Edith, 2017). Tem poemas publicados em diversas revistas literárias no Brasil como Alagunas, Mallarmargens, Acrobata, Germina, Diversos Afins, Escritoras Suicidas e The São Paulo Times. Além dos sites LiteraturaBR e Livre Opinião - ideias em debate. Participou da coletânea Quebras - uma viagem literária pelo Brasil (Selo Edith , 2015). Ousada, sistemática e inquieta escreve em "Eu tenho asas de pedra" nayarafernandes.wordpress.com.