em vão os homens cercam-se de mortos
tragédias, angústias e seguem caminhos
povoados por tristeza, cinzas e incerteza;

mas Renoir não pintou em preto e branco

Miró, com a tinta pulsando nos poros,
não mesclou cores vívidas para sucumbir
diante dos exércitos que nos entristecem

o canto do bem-te-vi insiste em recordar:

há ainda tempo de resistir aos vendavais
deixar a resignação aos espíritos turvos
abrir os olhos sobre as nuvens e bradar

contra as forças que nos impedem

de ser aquilo que queremos

porque, no fundo,

morrer é simples
o difícil mesmo

é viver

 

Gabriel Cortilho, do livro “Javali Radioativo”

Escrito por Gabriel Cortilho

Gabriel Cortilho (1992- ) é poeta e professor de História em Araraquara, no interior de São Paulo. Possui como referência a poesia de Manoel de Barros e Fernando Pessoa. Tem poemas divulgados pelas revistas Carlos Zemek; Mallarmargens; O Poema do Poeta; Escrita 47 (Guatá- Cultura em Movimento). Organiza seus escritos em livretos, sendo eles: Atemporal/Cronológico (2014), Transitório (2015), A Transa dos Besouros Verdes (2016), O Poema e a Cachaça (2017) e Javali Radioativo (2017), A Carne e o Licor de Moscas (2017), Os Fios Esquecidos Pelos Olhos (2017) e O Poema Entre as Ruínas (2018).