Quem quiser
que me deseje sorte
aos meus desmandos
evaporados
envio a tábua
de salvação
o gélido espinhal
de movimentos alusivos
aos cantos
e ao centro da terra.
Quem souber
que me vagueie
à dorê, me ame
quando não cedo
a ser mulher.
Posso ser bicho
que sou de antemão
por ter nascido.
Passo bem
por réptil
pássaro
camaleão
caetana
lúcifer
água filtrada
ou gasolina
em oleoduto.

Escrito por Roberta Tostes Daniel

Roberta Tostes Daniel, carioca. Autora de "Uma casa perto de um vulcão" (Patuá, 2018) e "Ainda ancora o infinito" (Moinhos, 2019). Tem poemas publicados nas revistas eletrônicas Gueto, Caliban, Agulha, Polichinello, Incomunidade, Liberoamérica, Musa Rara, Mallarmargens, Zunái, Literatura & Fechadura, Estrago, Diversos Afins, Germina, Minotauro, além de blogs e no site do Centro Cultural São Paulo. Incluída nas antologias: "Um girassol nos teus cabelos - poemas para Marielle Franco" (Quintal e Mulherio das Letras), "Sob a pele da língua - breviário poético brasileiro" (Arc Edições), “Desvio para o Vermelho” (CCSP), “Amar, verbo atemporal” (Ed. Rocco), "Crônicas de um amor crônico" (Penalux) e “história íntima da leitura” (Ed. Vagamundo). Email: robertatostes@gmail.com Instagram: @robertatostesdaniel e @danielrobertatostes Blog: http://robertatostes.wordpress.com “Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra” (António Ramos Rosa)