Desdenho em aquarela azul

Da realidade besta  que se revela

Desde o corpo até o cosmo

Cuida-me mulher

Durante a noite tive suores frios

Arranquei a roupa, você disse

Agarrei teu torso, de manhã

Você disse com o café em mãos

Me passando meus óculos

Arranhados, te refletindo vívida

pedi que você ficasse

Enquanto dormia

Você ri e me beija

Nos  primeiros minutos do dia

Eu tento lembrar do sonho

Tenso

Da noite  fria

da boca da noite  me açoitando os calcanhares

mas teu peso sobre mim cala as ideias

estanca o fluxo da  memória

instante sublime em que desimporta

o sonho e o frio e a merda toda

essa manhã nas proximidades uma máquina

ruidosa e bela em sua brutalidade

drenou o bueiro disfuncional

o barulho aqui

me atordoou suavemente

te disse das chuvas e do final

da rua vizinha inundada

as pessoas desviando da corrente no meio fio