Natalia Drepina
todos os dias
[saio para rua
sem ti] levo-te
.
no interior da sauda
de enquanto no peito
a fome da pressa ainda
.
teima – esquece os
relógios e prossiga
teus abraços chegam
sempre de véspera
.
: foste isto que ensinaste
por isso aqui estou, agora
a celebrar a tua existência
.
pelo tato das lembra
nças [não mais necessito
das palavras] mesmo
.
que não esteja teu corpo
ouço os olhos para saber
da alma – se não sei dos
olhos leio os gestos a int
.
encidade e nos comunicamos
[de um jeito peculiar pelos silê
ncios] nos intervalos de nós.

Escrito por Nayara Fernandes

Nayara Fernandes (Teresina - PI, 1988) é escritora e poeta brasileira. Autora do livro “Asas de pedra” (Selo Edith, 2017). Tem poemas publicados em diversas revistas literárias no Brasil como Alagunas, Mallarmargens, Acrobata, Germina, Diversos Afins, Escritoras Suicidas e The São Paulo Times. Além dos sites LiteraturaBR e Livre Opinião - ideias em debate. Participou da coletânea Quebras - uma viagem literária pelo Brasil (Selo Edith , 2015). Ousada, sistemática e inquieta escreve em "Eu tenho asas de pedra" nayarafernandes.wordpress.com.