Angelika Ejtel
regada à bruta linguagem
sobre um tenso mormaço
a manhã se refez no grito
.
belo áspero e intratável
[talvez um pouco menos
exato] no impulso do silêncio
.
ancorada às lagrimas nulas
de um céu semárido quase
como um pulmão asfixiado
pela ausência da sensibilidade
.
à deriva sobrevivem as perguntas
nos mares dos nadas [se é verdade
que nos habituamos à dor –, como
.
é que –, com o andar dos anos sofre
mos cada vez mais? onde se ergue
um sossego onde se confia no rasto
das lágrimas e se aprende a viver
.
fértil útero [de sol e sombra
e angústia] a vida é aquilo se toca
entre o peso e a forma das vertigens.