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O peso e a forma

Angelika Ejtel
regada à bruta linguagem
sobre um tenso mormaço
a manhã se refez no grito
.
belo áspero e intratável
[talvez um pouco menos
exato] no impulso do silêncio
.
ancorada às lagrimas nulas
de um céu semárido quase
como um pulmão asfixiado
pela ausência da sensibilidade
.
à deriva sobrevivem as perguntas
nos mares dos nadas [se é verdade
que nos habituamos à dor –, como
.
é que –, com o andar dos anos sofre
mos cada vez mais? onde se ergue
um sossego onde se confia no rasto
das lágrimas e se aprende a viver
.
fértil útero [de sol e sombra
e angústia] a vida é aquilo se toca
entre o peso e a forma das vertigens.

Escrito por Nayara Fernandes

Nayara Fernandes (Teresina - PI, 1988) é escritora e poeta brasileira. Autora do livro “Asas de pedra” (Selo Edith, 2017). Tem poemas publicados em diversas revistas literárias no Brasil como Alagunas, Mallarmargens, Acrobata, Germina, Diversos Afins, Escritoras Suicidas e The São Paulo Times. Além dos sites LiteraturaBR e Livre Opinião - ideias em debate. Participou da coletânea Quebras - uma viagem literária pelo Brasil (Selo Edith , 2015). Ousada, sistemática e inquieta escreve em "Eu tenho asas de pedra" nayarafernandes.wordpress.com.
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