Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado…
Resignação para aceitar o que não pode ser mudado…
E sabedoria para distinguir uma coisa da outra.
São Franciso de Assis

quando falo do Eu é devido o vínculo
que nos conecta através de palavras
não fosse assim, ficaria em Silêncio.

há muita sabedoria na água dos rios
seguem adiante, desviam as pedras,
e não tentam moldar a sua essência;

não quero guerra com meu passado,
os beijos da vida, as dores do tempo,
deixaram muitas marcas no que sou

quero abraçar com força a realidade
olhá-la nos olhos e dizer: és o que és
pois faço, nas frágeis possibilidades,
a lenta construção dos meus barcos

– eles são fracos, sensíveis, incertos,
é certo, porém são tudo o que tenho

talvez aceitar, às vezes, seja melhor
do que lutar sozinho contra o vento

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Gabriel Cortilho
“O Poema entre as Ruínas” (2017)

Escrito por Gabriel Cortilho

Gabriel Cortilho (1992- ) é poeta e professor de História em Araraquara, no interior de São Paulo. Possui como referência a poesia de Manoel de Barros e Fernando Pessoa. Tem poemas divulgados pelas revistas Carlos Zemek; Mallarmargens; O Poema do Poeta; Escrita 47 (Guatá- Cultura em Movimento). Organiza seus escritos em livretos, sendo eles: Atemporal/Cronológico (2014), Transitório (2015), A Transa dos Besouros Verdes (2016), O Poema e a Cachaça (2017) e Javali Radioativo (2017), A Carne e o Licor de Moscas (2017), Os Fios Esquecidos Pelos Olhos (2017) e O Poema Entre as Ruínas (2018).