Natalia Drepina
Minha mente simplesmente volta. Em volta as verdades dentro [não me atento. Esqueço sermões externos – , extremos delírios de comodidade que outros conformam, e os convencem a seguirem a mesma rota. Retos a pormenores : rentes as intrínsecas vozes. Sem enxergarem vivos olhares nem saberem dos próprios sabores almáticos.
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Derreto sob sólidos erros, mas não misturo meu eu em líquidas misérias. Não peso meus pesos [sigo densa. E cega às sequências certas e controladas rotas. Retas sem curvas a côncavos momentos. Rastros de marcantes memórias.
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No raso das razões razio causas [descompasso. Não me precipito nos precipícios das falas –, abismos de suposições não anunciadas –, quando gestos não são suficientemente claros, e no escuro muros se armam.
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Quanto mais altos, mais silêncios ecoam nadas. Tornando abstrato o concreto das realidades. Entre as horas vai passando o ponteiro.[ponteando tramas em teias : tecendo caos sob cacos internos. Inteira minha mente simplesmente volta.
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Em volta as verdades dentro não mais volto. Disparo desviando o que me estorva. Pulo do penhasco das sinceridades para desenvolver minhas asas e declarar independência a minha alma.

Escrito por Nayara Fernandes

Nayara Fernandes (Teresina - PI, 1988) é escritora e poeta brasileira. Autora do livro “Asas de pedra” (Selo Edith, 2017). Tem poemas publicados em diversas revistas literárias no Brasil como Alagunas, Mallarmargens, Acrobata, Germina, Diversos Afins, Escritoras Suicidas e The São Paulo Times. Além dos sites LiteraturaBR e Livre Opinião - ideias em debate. Participou da coletânea Quebras - uma viagem literária pelo Brasil (Selo Edith , 2015). Ousada, sistemática e inquieta escreve em "Eu tenho asas de pedra" nayarafernandes.wordpress.com.