Laura Makabresku

Sentimentos mútuos se sabem, – os ventos sopram : a vida acolhe [e no fim de um começo infindo] : escolhem-se. Assim somos eu e tu num emaranhado de nós e almas, – escolhas antes de escolhermos ser nó e sombra de corpos que pesam como pêndulos –, num vão vaivém na calçada dos sentimentos.
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Nos escolhemos sem escolhas : colhemos o bruto abruta escolha, abruta querença, abruto cuidado, abruto amor expresso na verdade dos olhos da alma.
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Somos a memória de um sonho insonhado. Memorial de palavras não ditas : ouvidas no zunir dos silêncios. Um cruzamento entre a vida e o destino, uma definição do indefinido.
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Somos confins do inconcluso, concluindo que mesmo não sabendo no fundo o que nós somos, somos um amontoado de coisas boas que sentimos diante do outro, e só a nós pertencem e nos vestem inteiros. Nos perfumando de dentro para fora, – deixando um cheirinho macio de nós na alma.

Escrito por Nayara Fernandes

Nayara Fernandes (Teresina - PI, 1988) é escritora e poeta brasileira. Autora do livro “Asas de pedra” (Selo Edith, 2017). Tem poemas publicados em diversas revistas literárias no Brasil como Alagunas, Mallarmargens, Acrobata, Germina, Diversos Afins, Escritoras Suicidas e The São Paulo Times. Além dos sites LiteraturaBR e Livre Opinião - ideias em debate. Participou da coletânea Quebras - uma viagem literária pelo Brasil (Selo Edith , 2015). Ousada, sistemática e inquieta escreve em "Eu tenho asas de pedra" nayarafernandes.wordpress.com.