Japão, um lugar onde os prédios brilham e os semáforos tocam sons de passarinhos. Onde pessoas andam freneticamente 24 horas por dia. Onde você se esforça para achar um lixo, onde você nunca será assaltado. Onde a privacidade e discrição são bens imateriais tão sagrados quanto seus deuses xintoístas e budistas. Onde a tecnologia está presente nas coisas mais simples do dia a dia. Onde, também, a solidão e o individualismo são imperativos que norteiam a convivência.

Por viverem em função das suas profissões, muitos japoneses acabam levando uma vida solitária, mesmo morando em meio ao caos das pujantes metrópoles do país.

Esta série tem como objetivo levantar uma reflexão sobre o conceito de intimidade na terra do sol nascente. Definindo “intimidade” como o espaço privado de cada pessoa a partir de um nível físico, emocional e espiritual. E como o respeito mútuo por esse “espaço”, além do que as regras dizem, é um fato possível em qualquer sociedade que o perceba como um bem comum.

Certamente, algumas das primeiras imagens da capital japonesa que nos vêm à mente são de multidões aparentemente caóticas, ou paisagens urbanas que correm entre arranha-céus brilhantes e altivos. Mas há outra realidade que passa quase despercebida a olho nu: onde o silêncio, a quietude, o respeito pelos outros e pela comunidade e o individualismo estão permanentemente presentes. Uma realidade que tomei como ponto de partida, para criar as imagens deste projeto.

Tenho usado situações cotidianas em espaços urbanos, como metáforas visuais, para representar o respeito pelos sentimentos, pensamentos e espaço físico de cada indivíduo, na convivência cotidiana com o restante dos membros de sua sociedade. Em oposição ao que poderíamos definir como contaminação “sensorial” ou “emocional”. Ou seja, as inúmeras violações ou interferências que nosso “espaço privado” e nossas distopias existências sofrem diariamente na maioria das sociedades.

Não obstante, busco a reflexão sobre intimidade, indivualidade e solidão, e tento questionar a linha que separa a indiferença, do respeito pelo espaço-vida do outro.

 

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>>> série produzida para Lens Culture B&W Awards

Copyright © 2018 Roberta Simão
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Escrito por Roberta Simão

Roberta é graduada em Administração de Empresas pela Universidade Paulista, pós-graduada em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas. No mundo corporativo, atua na área de comércio exterior e desenvolvimento de negócios internacionais. Porém, sua paixão desde adolescente por diferentes culturas, literatura, pessoas e viagens, direcionou seu coração para a fotografia. É na arte fotográfica, o lugar onde sua alma e coração, de fato, habitam. Com formação em Fotojornalismo, Fotografia de Rua e pesquisadora em Antropologia Visual e Filosofia da Fotografia pela UFG, tem seu trabalho diretamente influenciado na luta pelos direitos humanos.  Utiliza a fotografia para contar histórias e explorar a experiência humana. Já realizou exposições em Goiás, Distrito Federal e São Paulo. www.robertasimao.com @insideofsoul