Anina Bird

Entre o correr das brigas e o levar socos. Lançando sementes, eu aprendi com as flores: nós não plantamos a vida – a vida é quem nos planta ao seu modo. Porém, milagres acontecem quando a gente vai à luta*.

Entre dias de luta e momentos de luto. Lançando sementes, eu aprendi com as flores: glórias são consequências das buscas. Porém, a busca do corpo não garante a vitória da alma. Vitoriar eus interiores requer desconstruções diárias.

Entre pedras e quedas, farpas e lágrimas. Lançando sementes, eu aprendi com as flores: joelhos dobrados não confessam humildade. Porém, humildade nasce confessa quando prostra todo e qualquer ego. Regando vento e colhendo desgrenho – cabelo e coração libertos.

Entre ganhos e perdas, alegrias e tristezas. Lançando sementes, eu aprendi com as flores: planejar sorrisos e engravidar sonhos. Mesmo guardando memórias espinhosas, ou ainda ardendo dos caminhos impiedosos. Porém, quais vasos não sabem superfície quebrada? Qual barro os garantem eternamente intactos?

Entre sobrevidas e sobrevivências, eu aprendi com as flores as certezas das interiores mudanças e das mudas de mim decidi florescer bênçãos. Benditas flores que transplantam em mim abençoados brotos. Benditas flores que me salvam. Benditas flores sem vocês não sol. Benditas flores sem vocês não sou nada além de um solo infértil.

Escrito por Nayara Fernandes

Nayara Fernandes (Teresina - PI, 1988) é escritora e poeta brasileira. Autora do livro “Asas de pedra” (Selo Edith, 2017). Tem poemas publicados em diversas revistas literárias no Brasil como Alagunas, Mallarmargens, Acrobata, Germina, Diversos Afins, Escritoras Suicidas e The São Paulo Times. Além dos sites LiteraturaBR e Livre Opinião - ideias em debate. Participou da coletânea Quebras - uma viagem literária pelo Brasil (Selo Edith , 2015). Ousada, sistemática e inquieta escreve em "Eu tenho asas de pedra" nayarafernandes.wordpress.com.