Queira-se

She hates mondays
Por que escrever sobre o amor quando, às vezes, somos apenas desamor? Por que escrever sobre a doçura quando, às vezes, somos apenas amargura? Por que escrever sobre a leveza quando, às vezes, somos apenas densidade? Por que escrever sobre o sorriso quando, às vezes, somos seriedade apurada?
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Sinto dizer, mas somos um acúmulo de alternâncias crônicas. Felizes somos, mas felicidade inteira não possuímos. Positividade existe, mas pessimismo é saudável. Prova que não somos máquinas.
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Há tristeza para sermos dignos da alegria. Há sombras para enobrecermos a alma enquanto luz. Há espinhos para descobrirmos as rosas e seus perfumes. Há desacertos para cabermos nas amadurecências.
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Não dance fora do ritmo. Não tape o sol com a peneira. Queira-se! Como se quer o outro, defeituoso. Mas se quer porque se ama. Se quer em suma – carne e osso e vícios muitos. Nem sempre telhado de vidro é mais contemporâneo que telhado de palha. Bom seria se um dia não fôssemos humanos.

Escrito por Nayara Fernandes

Nayara Fernandes (Teresina - PI, 1988) é escritora e poeta brasileira. Autora do livro “Asas de pedra” (Selo Edith, 2017). Tem poemas publicados em diversas revistas literárias no Brasil como Alagunas, Mallarmargens, Acrobata, Germina, Diversos Afins, Escritoras Suicidas e The São Paulo Times. Além dos sites LiteraturaBR e Livre Opinião - ideias em debate. Participou da coletânea Quebras - uma viagem literária pelo Brasil (Selo Edith , 2015). Ousada, sistemática e inquieta escreve em "Eu tenho asas de pedra" nayarafernandes.wordpress.com.
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