ABOUT COMING OUT

JUNTAR O VELCRO

Um corpo perdido nas mãos de toda a gente
Retoma o lugar que lhe pertence
Opera sem auto-consciência
Sem entrave sem tropeção sem epilepsia ansiosa sem
tenebrosa visão de esquecer a máscara
e passar a ser ninguém.
Sem a tensão do mimo quando finge o espaço à sua volta.

Um corpo perdido entre discursos tecidos por qualquer coisa
Desfaz a pele fibrosa do casulo em que viveu
Renasce para vingar
Ser mais do que a massa cozida colectivamente.
Olha à sua volta
Este é o matrix.
Casulos não voltam a fechar.

Um corpo perfurado pela projeção expectativa uma bala de calibre centenário
Cose-se lentamente à sua própria pele
Caminha sem arrastar, mexe num contínuo, tropeça sem vergonha
Embraiagem travão roçando como mel
Manga termina no começo do pulso
Lombada colada às folhas
Legendas com o filme
o som e a imagem simultâneo na perfeição
Pesadelo disfórico tornou-se noutra coisa qualquer.



QUANDO O AGORA SEMPRE ESTEVE AQUI

Sempre tive um pénis
Um escroto pendente que coçava quando ninguém olhava.
Um símbolo de auto-celebração e de vergonha pública.
Ejaculando a minha concretitude e também a minha inexistência.
Ejaculando a minha monstruosidade.

Não mexe.

Sempre tive um pénis
De pele engelhada para sempre abandonado
pelo medo de uma biologia equivocada
Erguido nos meus momentos mais sinceros.
É forte.

Não toca.

Sempre tive um pénis.
Que me dizia espelho meu espelho meu
que é espelho do espelho do espelho
haverá alguém mais real do que eu?

Não existe.

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