Quero fazer uma ode ao dia de domingo. Dia este em que nos é dada permissão pra procrastinarmos, fica implícita a permissão da preguiça e o direito de colocarmos as pernas pra cima, literalmente. Sei que hoje é meio da semana e não tem pra que falar do domingo, mas senti a necessidade de fazer essa singela homenagem.

Domingo último, passei o dia deitada regojizando-me sobre meus lençóis. Deixei que a pilha de louça suja crescesse ao redor da cama, ornamentando o quarto, como se fossem flores que crescessem pra decorar. Fica decretado: o enfeite do lar no domingo é a louça suja! Aqueles que se incomodarem com a imagem de um quarto abarrotada de louça suja num domingo à tarde, trago duas saídas: abandonem o texto ou fiquem até o final (fico aguardando oferecimento de ajuda pra reparar tal dano). Se continuarem no texto, sei que devem ter se compadecido da minha inapetência em fazê-lo e possivelmente tenham se identificado, a parte de me ajudar, ficaremos por combinar.

Durante a semana a vida é regida pelos horários nefastos e rigorosos, mas no domingo não. Tudo, para mim, funciona em câmera lenta. Primeiro meu olho esquerdo se abre, o direito nem tchum! Nem sempre é assim, às vezes sou acordada mais cedo que os dias de semana, pelo gato que insiste em entrar no quarto, ou pela filha já ansiosa por passear. Nem tudo são flores e às vezes a preguiça programada tem dos seus imprevistos.

Domingo é dia de nem saber o que vai sair de almoço, comer, quem sabe, o famoso resto de ontem. É dia de imaginar e planejar mentalmente a semana que virá. Detalhe: ficará apenas mentalmente, pois não me dou ao trabalho de ir atrás de um lápis e caderneta para anotar, é demasiado esforço, poderia ofender a logística do dia.

Não sei por qual motivo escolhem datas comemorativas e as colocam fixamente aos domingos, vide o dia das mães e dos pais. Pra mim gera muito incômodo por ter que obrigatoriamente sair da cama e cumprir meus deveres sociais em reuniões familiares. Assumo que hoje no posto de mãe, o descanso nesse dia se faz mais do que merecido, já que o sobrenome de Mãe é Cansaço.

Exposta assim a minha preferência por esse dia, permito-me fazer um momento de análise: será que gosto tanto desse dia por ele, no seu plural, ser sinônimo do nome de meu pai Domingos? Será que essa afinidade vem daí? De qualquer forma, há domingos e Domingos. Não tenho do que me reclamar, gosto dos dois.

Escrito por Dani Marques

Escritora não famosa. Amo Virginia Woolf.