Xexéu

Folheia livros de arte pendurada na rede.
Por suas pernas curtas,
a altura não precisa alcançar muita distância do chão
para os pés sacudirem o ar
em feições aquáticas de domingo.

Molhada de suor
não queria outra piscina hoje,
ou talvez…

O pés sacudindo felizes
é cena de grande importância,
e se repete
na história
ainda que só
no olhar de suas travessuras

aos ofendidos: po(r)(s)sua pele de ostra.

Goza pensando num mundo,
onde à vontade de rasgo não é imperdoável.

Para isso eu preciso:
garras, dentes, ostridade.

Escrito por Priscila Lira

Nasceu em Pitinga (Amazonas, 1991). É escritora, professora, mestre em estudos literários, artista visual, curadora. Publicou Manual de Feitiçaria e O Barulho do Mormaço, ambos disponíveis no Calaméo, é integrante do Escritoras Suicidas, tem outros textos na Germina Literatura, no Mallarmargens, na Revista Diversos afins e no Jornal Relevo.
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