Deslocamento

Era preciso sair da caverna transformada em labirinto do medo, disseram-me com muita seriedade. Catei as armas e segui. 

Os ipês oferecem o rosa e o lilás à vida vista de fora. De dentro da minha cápsula em movimento posso sentir as cores de sua dança ao vento. 

Ambulâncias cortam o vaivém da estrada, martelando a dureza dos dias tangidos pelo invisível. Um peito apertado me alerta: é preciso respirar. 

Encontro abrigo na imensidão azul. Mergulhada na luz dourada que se esvai, permito às ondas do meu cérebro sintonizar o canto incessante do mar. 

Aceito revestir o cansaço dos pés com o toque da areia molhada. Entrego os cabelos ao desalinho da brisa, enquanto aves marinhas adejam sobre o meu caminho. 

A poesia dilata brônquios. Acerta o ritmo do fragilizado pulsar, recompondo fragmentos, para sonhar-me inteira. 

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